Diário de Viagem - Rumo a Lisboa

Demorei alguns dias a escrever esta última jornada. Foi o cansaço, misturado com a nostalgia, apimentado pela saudade.

Saímos cedo, pelas seis da manhã. Ainda éramos para fazer uma última pista, a terminar em Arzila - Asilah, se formos marroquinos.

Chuviscava e o céu brindou-nos com este maravilhoso arco-íris.

A caminho de Tanger

Já em Tanger, atestámos os carros antes de seguir para o porto. Os preços do combustível subiram astronomicamente nos últimos anos, em Marrocos. No entanto, continuam bastante abaixo dos preços portugueses. O litro de gasóleo custa neste momento cerca de 1€. Variando de acordo com o local.

Por pouco e apanhávamos o barco das oito da manhã. Mas o objectivo sempre foi o das dez, por isso, não houve drama.

Esperámos pacientemente, dando pontapés à lama solidificada que se agarrava aos carros e assistindo às discussões que sempre surgem por ali.

Mesquita junto ao Porto de Tanger

Quando nos pusemos na bicha para o barco, já havia bastante gente. Agora, tratar da papelada é mais rápido que nunca. Mas os carros têm que passar, quatro a quatro, pelo Raio-X. Isso sim é um processo moroso.

Raio-X aos carros

Manda parar este, manda abrir a mala daquele. Quando nos indicaram o caminho do barco já só cabiam dois carros. Os outros tiveram que ficar para trás e aguardar pelo barco das duas da tarde. Os portugueses nunca se atrapalham. Rapidamente apareceu um "porquinho" e um pouco de álcool para assar alguns chouriços; mesmo ali em pleno porto.

Entretanto, já em Tarifa, quem passou (eu incluída) decidiu esperar. Deu tempo para almoçar e para conhecer Tarifa a pé.

em Tarifa

em Tarifa


Ainda sobre Marrocos...

É sempre surpreendente aquela diferença tão marcada entre o norte e o sul. O primeiro é mais rico, mais verde, mais industrializado. Mas também é impessoal, agressivo, até. Mais árabe.

No sul predominam os berberes, um povo simpático, mercante, que preza a liberdade acima de qualquer outro valor. No sul, podemos deixar a chave na ignição e ir dormir tranquilamente. As pessoas parecem mais pobres, é certo. Mas também parecem muito mais felizes.

As escolas...

Pobres ou ricas, rapazes ou raparigas, em Marrocos todas as crianças vão à escola. E isso, para mim, é algo de extraordinário, sobretudo se tivermos em conta que vivem crianças nos locais mais ermos. Longe do alcatrão, longe da cidade, onde menos esperamos, encontramos uma escola a funcionar. Os professores são obrigados a permanecer no interior do país durante um par de anos, antes de se poderem candidatar à sua cidade de eleição.

O Rei Mohammed Vé muito querido e há motivos para isso. Marrocos é uma monarquia constitucional com parlamento eleito.  O rei é um grande defensor dos Direitos do Homem, na linha do que já vinha sendo feito pelo pai, Hassan II. Foi, aliás, o pai quem ratificou a Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres em 1993.

Quem quiser saber mais sobre o papel da mulher na sociedade marroquina, pode clicar aqui: http://www.aaaio.pt/public/ioand658.htm