À minha frente estende-se uma estrada de terra que termina no infinito. O carro foge de traseira quando acelero e ouvem-se as pedras a saltar. O rádio do carro toca Verve e a janela está aberta. O vento bate na cara e remexe o cabelo. Sinto-o como um chicote na cara.
Perante mim, Marrocos aparece pintado por camadas. O castanho da terra. Algum verde das ervas. O castanho barro das casas. Os vários tons de cinzento das montanhas. As que estão mais perto são mais escuras e as que estão mais longe são mais claras. Logo acima o azul do céu e por fim o branco das nuvens.
Estávamos perto do Planalto de Rekkam e o vento não permitiu que piquenicássemos como de costume. Fomos até Gourrama e procurámos um restaurante simpático que nos recebesse. Escolhemos o Aziz. Dois do grupo entraram pela cozinha dentro e entenderam-se directamente com o staff. Três ovos estrelados, três tagines de borrego e uma espécie de dobrada.
Arrancámos para a pista de Boudenib, pelos trilhos rápidos que levam até Arfoud, às portas das dunas.
Quando há doze anos cá vim pela primeira vez, este era um país muito diferente. Marrocos está mudado! Os trilhos de sempre vão desaparecendo e dando lugar ao alcatrão e a grandes plantações. É o progresso; a ocidentalização, talvez. E dentro de cada um fica um sentimento contraditório. Por um lado desejamos tudo de bom para estas gentes e isso significa o desenvolvimento económico, claro. O progresso. Por outro lado, vemos desaparecer aquilo que torna este povo único; aquilo que amamos e nos faz voltar uma e outra vez. Respeito a diferença. Vestes diferentes, comidas diferentes, culturas diferentes. As civilizações não têm obrigatoriamente que evoluir todas no mesmo sentido.
Aqui, as pessoas são livres. Andam mais devagar. Às vezes sentam-se sozinhas e ficam a olhar para o horizonte. Fuma-se em todo o lado. Gosto desta liberdade que nos contagia mal entramos no país. Ser ocidental é diferente de ser feliz..
As crianças, sempre as crianças, chamam, pedem, gritam, atiram beijos e sorrisos e às vezes deitam a língua de fora. Pensamos... De onde vêm? Onde vivem? Será que vão à escola? Fazemos dezenas de quilómetros em direcção a sítio nenhum e quando menos esperamos surge um grupo de crianças, um rebanho de ovelhas, uma casa.
Chegámos cedo ao hotel. Deu para beber um gin ao lado da piscina, jantar e até jogar pool. Foi um dia bom para uma ocidental..
Perante mim, Marrocos aparece pintado por camadas. O castanho da terra. Algum verde das ervas. O castanho barro das casas. Os vários tons de cinzento das montanhas. As que estão mais perto são mais escuras e as que estão mais longe são mais claras. Logo acima o azul do céu e por fim o branco das nuvens.
Estávamos perto do Planalto de Rekkam e o vento não permitiu que piquenicássemos como de costume. Fomos até Gourrama e procurámos um restaurante simpático que nos recebesse. Escolhemos o Aziz. Dois do grupo entraram pela cozinha dentro e entenderam-se directamente com o staff. Três ovos estrelados, três tagines de borrego e uma espécie de dobrada.
Arrancámos para a pista de Boudenib, pelos trilhos rápidos que levam até Arfoud, às portas das dunas.
Quando há doze anos cá vim pela primeira vez, este era um país muito diferente. Marrocos está mudado! Os trilhos de sempre vão desaparecendo e dando lugar ao alcatrão e a grandes plantações. É o progresso; a ocidentalização, talvez. E dentro de cada um fica um sentimento contraditório. Por um lado desejamos tudo de bom para estas gentes e isso significa o desenvolvimento económico, claro. O progresso. Por outro lado, vemos desaparecer aquilo que torna este povo único; aquilo que amamos e nos faz voltar uma e outra vez. Respeito a diferença. Vestes diferentes, comidas diferentes, culturas diferentes. As civilizações não têm obrigatoriamente que evoluir todas no mesmo sentido.
Aqui, as pessoas são livres. Andam mais devagar. Às vezes sentam-se sozinhas e ficam a olhar para o horizonte. Fuma-se em todo o lado. Gosto desta liberdade que nos contagia mal entramos no país. Ser ocidental é diferente de ser feliz..
As crianças, sempre as crianças, chamam, pedem, gritam, atiram beijos e sorrisos e às vezes deitam a língua de fora. Pensamos... De onde vêm? Onde vivem? Será que vão à escola? Fazemos dezenas de quilómetros em direcção a sítio nenhum e quando menos esperamos surge um grupo de crianças, um rebanho de ovelhas, uma casa.
Chegámos cedo ao hotel. Deu para beber um gin ao lado da piscina, jantar e até jogar pool. Foi um dia bom para uma ocidental..