Diário de Viagem - Erg Chebbi - Dia 4

Rumo às dunas! A maioria das pessoas não saberá isto, mas... de manhã os dromedários saem para levar os turistas a ver o nascer do sol e o caminho que eles fazem é o caminho a seguir para esse dia. Por onde eles passam é piso bom! O instinto dos animais não falha. Por isso, quem quer andar nas dunas sabe que há dois truques:

1 - Passar por onde passaram os dromedários. Ver as marcas das patas e as caganitas no chão. É por aí que a areia é mais dura e a duna não cai a pique do outro lado. Os dromedários não são parvos.

2 - Caindo num poço de areia e não conseguindo sair a direito, a melhor forma de resolver a situação é dar várias voltas em jeito de "Poço da Morte" para ganhar velocidade e só depois tentar sair.

Com estas duas dicas já há boas probabilidades de andar aí uns... quinhentos metros.







À entrada do Erg parámos para tirar ar aos pneus. Vários miúdos apareceram de imediato. Queriam presentes e vender uns camelos de pano que traziam. No meu melhor árabe, perguntei se iam à "madrassa". Disseram que sim com a cabeça. No entanto, era dia de escola e eles ali estavam. Aproximou-se um homem marroquino e eu repeti-lhe a pergunta que já havia feito às crianças, agora em francês. Ele troca meia dúzia de palavras em árabe com eles e acaba por me responder - "só têm aulas ao meio-dia".


Na primeira vez que vim a Marrocos, perto de Zagora, um grupo de miúdos rodeou o nosso carro. Só conseguimos conversar com um deles. Era o único que sabia falar francês. Lembro-me que pareciam todos iguais. Maltrapilhos, a jogar à bola com as pedras do chão. Perguntámos-lhe porque razão ele era o único que sabia falar francês. Explicou-nos que os outros meninos andavam na escola pública da aldeia e não aprendiam francês, mas que ele todos os dias ia na camioneta, cerca de uma hora para cada lado, ter aulas a Zagora, a uma escola particular. Aí sim, ensinava-se o francês.

Avisaram-nos que as dunas estavam difíceis, mas fizemos ouvidos de mercador e entrámos na mesma. Claro que tivemos uma lição de humildade, como costuma acontecer sempre em Marrocos aos turistas que desafiam a Natureza. Após alguns atascanços épicos e carros que quase se viraram de rodas para o ar, a opinião geral era de que devíamos ir almoçar e deixar aquilo para a tarde.

Seguimos pelo rio de areia numa pista divertida onde aqui e ali se encontravam acampamentos nómadas e almoçámos uma Tagine de Cafta em Merzouga. Depois de almoço já não apeteceu voltar à areia. Fica para amanhã...