Diário de Viagem - Merzouga - Dia 5


Acordar sem pressas, tomar um pequeno almoço reforçado e sair. Ninguém nos ia roubar a manhã nas dunas. Passámos por Arfoud para uma ida rápida à oficina. Nestas viagens há sempre o que fazer na oficina. Um chá de menta, uma passagem pela boutique para ver os tapetes, atestar o carro. Estamos prontos para arrancar.

Seguimos em direcção a Merzouga e entrámos no Erg junto ao Tombouctou, o famoso hotel em que a Elisabete Jacinto tantas vezes fica hospedada. Tal como ontem, enquanto tiramos ar, aproxima-se um grupo de marroquinos que mete conversa e tenta vender frascos para a areia do deserto e saboneteiras com fosseis. Pergunto se as dunas estavam melhores que ontem e eles asseguram que sim. Hoje não havia vento e por isso as dunas estavam perfeitas para o 4x4. Negoceio dois frasquinhos de areia por sessenta dirhams.


Um atrás do outro, os carros entram pelo Erg. O mais experiente à frente, os outros seguem-no tentando que as rodas passem pelo mesmo sítio. Há quem tenha medo das dunas; eu acho divertido! Nunca se sabe o que está do outro lado. Tentamos encontrar o ponto exacto para tirar o pé sem que a barriga do carro assente na crista da duna. Cruzamos os dedos sem saber se, do outro lado, a duna continua plana ou cai a pique.





Gostava que tivéssemos ido até ao Oásis Ubira, mas a maioria preferiu ir até Merzouga para almoçar. Escolhemos um restaurante com braseiro, mas onde não havia carne. Um dos marroquinos aceitou ir connosco até ao talho. Borrego e bifes de vaca. O restaurante forneceu o pão e as bebidas e ainda aceitou que pousássemos em cima da mesa o que trazíamos connosco.


Conversar, distribuir os restos pelos gatos, brincar com as crianças que por ali andavam. Por fim, concordámos que queríamos ver tapetes. Ali perto há uma Associação Feminina; uma espécie de cooperativa que defende os direitos das mulheres e crianças e se dedica à difusão da cultura berbere. Um dos marroquinos aceitou ir connosco de carro à sua procura.

Um pouco afastada de Merzouga, numa casa que se confunde com todas as outras da aldeia, é aí que fica a Association Izourane, uma organização para o desenvolvimento da mulher e da criança. Lá dentro, um pequeno museu explica as rotinas de um nómada berbere e apresenta os símbolos que encontramos nos tapetes desta cultura do sul de Marrocos, do deserto. O homem livre, a fertilidade, o poço, a hora entre o pôr do sol e a noite, a magia, etc. As mulheres transpõem a sua história para os seus tapetes, através de símbolos misteriosos.



Voltámos a Arfoud, desta vez para um novo hotel – o Palace du Desert. Depois da confusão do Xaluca, sentir o aroma a rosas em todo o lado e entrar pelo jardim, simples, despojado, magnífico, soube bem. Duas piscinas escondem-se entre arbustos. O aroma das flores está sempre presente. Tudo convida à meditação. Foi preciso o Xaluca não ter quarto para descobrirmos este paraíso.

A noite pediu mais uma visita a Arfoud. Alguns carros estavam na oficina, ainda. Queríamos fumar uma shisha mas, segundo nos disseram, agora é proibido fumar shisha em Marrocos, pasme-se. Passeámos apenas pelas ruas. Em Marrocos, as lojas ficam abertas até tarde. Cafés, bicicletas; aqui a vida nocturna é natural. Há homens e mulheres nas ruas e tudo está em paz. Tapetes é que só amanhã.