Foi o último dia em Arfoud. Acordámos, tomámos o pequeno-almoço e rumámos à Gare de Medouar, uma antiga prisão
portuguesa, em pleno Marrocos. Segundo se diz, era ali que ficavam os escravos à espera de ir de África para a Europa.
A vista é extraordinária! Enquanto lá estávamos, dois marroquinos subiram - um de bicicleta e outro a pé, a correr. Quando finalmente chegaram junto de nós, vinham cansados, ofegantes. Estenderam o que traziam para vender e nós,
sensibilizados pela trabalheira que deu lá chegar, comprámos de tudo.
Por todo o lado, fósseis como os das trilobites, mas muitos outros também. É uma zona rica em fósseis. Quase todas a pedras escondem um e os marroquinos vendem-nos em todos os artefactos que fazem - cinzeiros, lavatórios, saboneteiras, etc.
Seguimos viagem, a paragem seguinte é quase obrigatória. El Jorf! Os amigos do Desert Berber Camp-Fire, os irmãos Mohamed e Youssef, merecem sempre uma visita. O resto do grupo queria ver os poços, eu o que queria mesmo era comprar alguns tapetes. O Mohamed e o Youssef fazem mais pelos nómadas berberes do que muitas associações. Divulgam a cultura berbere junto dos turistas, compram para revenda os produtos de artesanato directamente às mulheres berberes e, porque falam francês, servem de intermediários com o governo, pressionando para que, por exemplo, cheguem medicamentos aos acampamentos berberes. Para além disto tudo, eles são de uma simpatia inexcedível e sabem receber.
Prosseguimos por pista de areia, passando pelas chamadas "esculturas do alemão". O tal alemão chama-se Hannsjönrg Voth e fez as esculturas em pleno deserto, com o objectivo de atrair visitantes para perto das populações locais. Um guarda recolhe dinheiro para a visita, que deverá reverter para aquelas gentes.
Prosseguimos por pista de areia, passando pelas chamadas "esculturas do alemão". O tal alemão chama-se Hannsjönrg Voth e fez as esculturas em pleno deserto, com o objectivo de atrair visitantes para perto das populações locais. Um guarda recolhe dinheiro para a visita, que deverá reverter para aquelas gentes.
Continuando, almoçámos numa terra chamada Tinejdad. Pedimos ao dono do restaurante autorização para colocar em cima da mesa a perna de presunto que trazíamos. Ele acedeu e pediu pra provar. Avisei que era porco. Não percebeu. Disse que era "la viande que les arabes ne mangent pas". Agradeceu o aviso e já não comeu. Fiquei com a sensação que ele sabia o que aquilo era desde o início.
O resto do dia foi de pistas rápidas, excepto nos troços que a
água levou. Aí tivemos que procurar caminho metro a metro. Inventar trilhos onde não os havia.
No meio das paisagens de pedra, erguem-se plantações como oásis. Os olivais são aos magotes. Maravilhosos, compostos de árvores enormes. Os cactos são colocados em torno dos pomares e de outras plantações, suponho que para os proteger dos animais. Pareceram-me ser a versão ecológica do nosso arame farpado.
Em cada terra, um parque infantil novo em folha. Baloiços, escorregas, etc. Ao final do dia, as crianças brincam nas ruas. Ao contrário do que acontece em Portugal, em Marrocos, a idade média da população é de apenas 28 anos. A população é muito jovem e o investimento tem sido enorme. Em Portugal fecham escolas por falta de alunos. Aqui abrem uma escola em cada aldeia, porque o número de crianças é de facto assombroso.
O dia terminou no Dades debaixo de uma chuva miudinha que deixou a terra com aquele cheiro que toda a gente conhece e ninguém sabe descrever. Sim, é esse.
No meio das paisagens de pedra, erguem-se plantações como oásis. Os olivais são aos magotes. Maravilhosos, compostos de árvores enormes. Os cactos são colocados em torno dos pomares e de outras plantações, suponho que para os proteger dos animais. Pareceram-me ser a versão ecológica do nosso arame farpado.
Em cada terra, um parque infantil novo em folha. Baloiços, escorregas, etc. Ao final do dia, as crianças brincam nas ruas. Ao contrário do que acontece em Portugal, em Marrocos, a idade média da população é de apenas 28 anos. A população é muito jovem e o investimento tem sido enorme. Em Portugal fecham escolas por falta de alunos. Aqui abrem uma escola em cada aldeia, porque o número de crianças é de facto assombroso.
O dia terminou no Dades debaixo de uma chuva miudinha que deixou a terra com aquele cheiro que toda a gente conhece e ninguém sabe descrever. Sim, é esse.