O dia de hoje amanheceu diferente - o nevoeiro tomava conta de tudo. Pusemos os carros a trabalhar e não víamos um palmo adiante do nariz. Para além do mais, estava frio, um vento desagradável que fazia com que nem apetecesse sair do carro. Ainda não eram sete da manhã quando arrancámos.
Mesmo com nuvens, as paisagens não enganam; estamos na Primavera. Há flores por toda a parte! Paramos aqui para comprar pão, ali para um café, acolá para atestar. A meio da manhã, atravessamos um rio em fila indiana e uns metros mais tarde, um dos carros acende a luz da temperatura. Tinha partido a ventoinha e o radiador. A água escorria por todo o lado.
Uns marroquinos param junto de nós e indicam-nos uma oficina a quatro quilómetros. Atamos uma cinta e levamos o carro dali. Só que não... Daí a quatro quilómetros o que havia era um portão a dar para uma barragem. Meia volta. Paramos junto de dois polícias que providenciam indicações mais exactas: a oficina existia, mas estava a uns quinze quilómetros.
Já na vila, percebemos que o radiador tinha que ser soldado, mas para o soldar era preciso ir a uma cidade, trinta quilómetros mais adiante. Um foi, acompanhado de um marroquino. Os outros ficaram por ali a almoçar. Tudo parou a observar os ocidentais. Tudo queria falar connosco. Passado um pouco, o radiador estava reparado, o grupo estava almoçado e o céu estava limpo. Hora de voltar para a estrada!
A pista que estava guardada para a tarde era uma das melhores de sempre em Marrocos, especialmente por ser Primavera. Por todo o lado era o feno, as papoilas, as margaridas. Ovelhas e vacas felizes a pastar. Mesquitas perdidas no meio dos prados. Pastores com smartphones que nos tiravam fotografias quando passávamos. Marrocos está mudado. E foi assim que subimos em direcção a norte.
Ao cabo de algumas dezenas de quilómetros, um dos carros teve um furo. Mudar a roda foi a desculpa perfeita para usufruir da paisagem. Ver os cactos, mais uma vez, a servirem de arame farpado. Ver eucaliptais limpos, com árvores separadas por mais de cinco metros entre si, intercalados por baldios.
Já era tarde e o Meshui estava à espera no Lago Erroumi. Voltámos a arrancar.
E assim Marrocos foi passando pelos nossos olhos, nos quilómetros que se faziam. As casas de diferentes cores e feitios, as pessoas, os burros, o verde... Às tantas, surgiu um casal mais velho, lado a lado, junto de casa, sentado numa pedra e a olhar para o horizonte.
Marrocos vive devagar. Tem tempo para ver as coisas como elas são. Apreciar o Sol que desce na linha do horizonte. Em Lisboa não temos tempo para isso. Há muito que não vejo um pôr do sol com tempo. Aqui, as ruas podem ser mais sujas, há mais desleixo, talvez. Mas as pessoas têm tempo para se sentarem, só, sem fazer mais nada.
Aliás, era impossível ser de outra maneira. Aqui, a linha do horizonte impõe-se sobre todos. Obriga à contemplação. Tanto no deserto, como na montanha, como nestes prados verdes, como no mar, a linha do horizonte situa-se sempre para lá do infinito. Em Marrocos, onde quer que estejamos, sentimo-nos livres!
Depois de mais uma paragem forçada, desta vez numa operação stop, chegámos ao hotel. Estava cheio de marroquinos que jantavam ao som de música ao vivo. As crianças terminavam mais cedo e juntavam-se no lobby. Umas agarradas a tablets, outras a um hoverboard. Este Marrocos de contrastes, penso. Ainda há dois dias um miúdo pedia-me um par de sapatos... e aqui à minha frente, quatrocentos quilómetros mais acima, um outro miúdo da mesma idade anda de hoverboard.
Mesmo com nuvens, as paisagens não enganam; estamos na Primavera. Há flores por toda a parte! Paramos aqui para comprar pão, ali para um café, acolá para atestar. A meio da manhã, atravessamos um rio em fila indiana e uns metros mais tarde, um dos carros acende a luz da temperatura. Tinha partido a ventoinha e o radiador. A água escorria por todo o lado.
Uns marroquinos param junto de nós e indicam-nos uma oficina a quatro quilómetros. Atamos uma cinta e levamos o carro dali. Só que não... Daí a quatro quilómetros o que havia era um portão a dar para uma barragem. Meia volta. Paramos junto de dois polícias que providenciam indicações mais exactas: a oficina existia, mas estava a uns quinze quilómetros.
Já na vila, percebemos que o radiador tinha que ser soldado, mas para o soldar era preciso ir a uma cidade, trinta quilómetros mais adiante. Um foi, acompanhado de um marroquino. Os outros ficaram por ali a almoçar. Tudo parou a observar os ocidentais. Tudo queria falar connosco. Passado um pouco, o radiador estava reparado, o grupo estava almoçado e o céu estava limpo. Hora de voltar para a estrada!
A pista que estava guardada para a tarde era uma das melhores de sempre em Marrocos, especialmente por ser Primavera. Por todo o lado era o feno, as papoilas, as margaridas. Ovelhas e vacas felizes a pastar. Mesquitas perdidas no meio dos prados. Pastores com smartphones que nos tiravam fotografias quando passávamos. Marrocos está mudado. E foi assim que subimos em direcção a norte.
Ao cabo de algumas dezenas de quilómetros, um dos carros teve um furo. Mudar a roda foi a desculpa perfeita para usufruir da paisagem. Ver os cactos, mais uma vez, a servirem de arame farpado. Ver eucaliptais limpos, com árvores separadas por mais de cinco metros entre si, intercalados por baldios.
Já era tarde e o Meshui estava à espera no Lago Erroumi. Voltámos a arrancar.
E assim Marrocos foi passando pelos nossos olhos, nos quilómetros que se faziam. As casas de diferentes cores e feitios, as pessoas, os burros, o verde... Às tantas, surgiu um casal mais velho, lado a lado, junto de casa, sentado numa pedra e a olhar para o horizonte.
Marrocos vive devagar. Tem tempo para ver as coisas como elas são. Apreciar o Sol que desce na linha do horizonte. Em Lisboa não temos tempo para isso. Há muito que não vejo um pôr do sol com tempo. Aqui, as ruas podem ser mais sujas, há mais desleixo, talvez. Mas as pessoas têm tempo para se sentarem, só, sem fazer mais nada.
Aliás, era impossível ser de outra maneira. Aqui, a linha do horizonte impõe-se sobre todos. Obriga à contemplação. Tanto no deserto, como na montanha, como nestes prados verdes, como no mar, a linha do horizonte situa-se sempre para lá do infinito. Em Marrocos, onde quer que estejamos, sentimo-nos livres!
Depois de mais uma paragem forçada, desta vez numa operação stop, chegámos ao hotel. Estava cheio de marroquinos que jantavam ao som de música ao vivo. As crianças terminavam mais cedo e juntavam-se no lobby. Umas agarradas a tablets, outras a um hoverboard. Este Marrocos de contrastes, penso. Ainda há dois dias um miúdo pedia-me um par de sapatos... e aqui à minha frente, quatrocentos quilómetros mais acima, um outro miúdo da mesma idade anda de hoverboard.