O Culto de Personalidade

O sistema partidário apresenta graves falhas e serão essas mesmas falhas a estar na base dos movimentos independentes que por aí de repente agora pululam.
Mas serão os movimentos independentes a solução? Se o objectivo for a manutenção de um sistema democrático, a resposta será não.

Os movimentos independentes que têm surgido nos últimos anos em Portugal, salvo raras excepções, não se fundamentam em ideologia ou em projecto político concreto e de longo prazo. Centram-se antes no culto a determinada personalidade, que tão típico é dos regimes totalitários.

Nos partidos políticos a rotatividade está assegurada à partida bastando que todos os intervenientes mantenham a ambição natural de chegar à liderança. Através de regimentos e estatutos definem-se as regras de um jogo claro e transparente. Nos movimentos independentes, os papéis definem-se menos; flutuam em torno da imagem de um líder sem o qual o projecto perde sentido. Um líder que tudo decide e que nada pergunta.

A necessidade popular de seguir um pastor mantém-se como sempre foi: existente e perigosa.