Meio dia em Marraquexe. Parados em frente ao banco, eu, a senhora e os filhos.
Marrocos é um país liberal no que diz respeito à religião, mas ela comenta "estas pobres mulheres, coitadas. Que confusão isto me faz... obrigadas a andar de cara tapada, com estes lenços...". Eu respondo que não era bem assim, que o lenço ali era mais um acessório de moda entre as mais novas. Bem giro, por sinal. E disse que as mais velhas não se sentiriam bem vestidas de outra forma. Ela insistia que não. Que aquilo era um país retrógrado. Que não conseguia tolerar aquilo e que aquelas pobres mulheres, coitadas, não tinham direito a opinião, de outra forma não se vestiriam assim. Eu retorqui que em Portugal a mini-saia não era proibida e que apesar disso, as minhas avós nunca tinham vestido nenhuma. Não se iam sentir bem de mini-saia... Eram de outro tempo. Entrei no banco para não continuar a discussão.
Aquela senhora que no primeiro dia se chegou à minha beira e disse "ainda bem que vêm mais mulheres... Estava com medo de ser a única." Aquela senhora que deixou o marido entrar sozinho no banco, tratar dos assuntos financeiros e claramente masculinos, e que ficou à porta com os filhos. Aquela mesma senhora que em onze dias de viagem e apesar de ter carta, não pegou no carro uma única vez. Aquela senhora estava a falar de feminismo.
Meia hora mais tarde, a senhora portuguesa perseguia de máquina fotográfica em punho uma senhora marroquina que seguia na vida dela pela rua, filho ao colo e sacos com o almoço para levar a alguém. Ao cabo de uns metros e de umas dez fotos, a marroquina pediu-lhe por gestos que parasse com aquilo, que não a fotografasse. A senhora portuguesa dos dois filhos lembrou a conversa de há pouco: "Vêem? É um pais muito machista... Elas nem se deixam fotografar."
Marrocos é um país liberal no que diz respeito à religião, mas ela comenta "estas pobres mulheres, coitadas. Que confusão isto me faz... obrigadas a andar de cara tapada, com estes lenços...". Eu respondo que não era bem assim, que o lenço ali era mais um acessório de moda entre as mais novas. Bem giro, por sinal. E disse que as mais velhas não se sentiriam bem vestidas de outra forma. Ela insistia que não. Que aquilo era um país retrógrado. Que não conseguia tolerar aquilo e que aquelas pobres mulheres, coitadas, não tinham direito a opinião, de outra forma não se vestiriam assim. Eu retorqui que em Portugal a mini-saia não era proibida e que apesar disso, as minhas avós nunca tinham vestido nenhuma. Não se iam sentir bem de mini-saia... Eram de outro tempo. Entrei no banco para não continuar a discussão.
Aquela senhora que no primeiro dia se chegou à minha beira e disse "ainda bem que vêm mais mulheres... Estava com medo de ser a única." Aquela senhora que deixou o marido entrar sozinho no banco, tratar dos assuntos financeiros e claramente masculinos, e que ficou à porta com os filhos. Aquela mesma senhora que em onze dias de viagem e apesar de ter carta, não pegou no carro uma única vez. Aquela senhora estava a falar de feminismo.
Meia hora mais tarde, a senhora portuguesa perseguia de máquina fotográfica em punho uma senhora marroquina que seguia na vida dela pela rua, filho ao colo e sacos com o almoço para levar a alguém. Ao cabo de uns metros e de umas dez fotos, a marroquina pediu-lhe por gestos que parasse com aquilo, que não a fotografasse. A senhora portuguesa dos dois filhos lembrou a conversa de há pouco: "Vêem? É um pais muito machista... Elas nem se deixam fotografar."
