Acenava do outro lado da rua, a Dona Júlia, da sua varanda. De um terceiro andar para outro, de uma marquise para um varanda. Trocavam-se olhares e sorrisos e bons dias e boas tardes. Trocavam-se tardes a apanhar sol e manhãs a estender roupa. Trocava-se o latido de um cão pelo desejo de ter também um cão. A Dona Júlia era pequenina e toda sorrisos. Maciça. Portuguesa. Não se via na rua, apenas na varanda e mais raramente com o seu marido que era pessoa nenhuma. Era apenas a pessoa que nos disse que a Dona Júlia tinha ido para o hospital. A pessoa que tentava alimentar o cão escondido debaixo do guarda-fatos. A pessoa que nos disse que a Dona Júlia havia morrido.