O Vento e os Amigos



O Vento brincalhão ia-se chegando para o pé do sisudo Sol.
O Sol, ignorando o Vento, brilhava forte lá no alto.
Mas o Vento girava e rodopiava,
Mais acima e mais abaixo
E tentava chegar ao sisudo Sol.
O Sol tentava afastá-lo com o seu calor.
Divertido, o Vento aproximava-se da praia
E metia-se com os amigos do Sol.
Um a um, todos lhe viravam as costas, incomodados.
- Sai daqui Vento! Estás a atrapalhar, não gostamos de ti.
Então o Vento tentou mudar, queria fazer amigos entre os amigos do Sol.
Começou a soprar baixinho, muito devagar.
Já ninguém o reconhecia.
Que era feito daquele Vento de rajada que tudo levava à sua frente?
O Vento agora não era mais do que uma leve brisa
E voltou a aproximar-se da praia,
Convencido que agora as pessoas amigas do Sol
Iam ser suas amigas também.
Mas as pessoas insistiam,
- Um dia de Sol tão bonito, é pena correr esta brisa.
E novamente viravam as costas ao Vento
que já nada mais era que uma brisa.
O Vento triste foi-se embora.
Tão triste estava que começou a chorar
E por onde andou todos agradeciam a sua presença
Mas ele estava ainda tão triste por causa do Sol e dos seus amigos na praia
que nem reparou e continuou sem parar.
Às tantas a tristeza passou e o Vento ficou apenas muito zangado.
Começou a soprar com mais e mais força, como nunca antes tinha soprado.
Passou por cima de uns moinhos que havia muito tempo estavam parados
E os moinhos começaram a girar as suas pás ao sabor do Vento
E as pessoas sorriam e agradeciam a sua presença
e pediam para ele nunca mais ir embora.
Surpreendido, o Vento começou a rir sozinho
Já não estava triste nem zangado
E tinha voltado a soprar com mais força que nunca
Os seus novos amigos sorriam com ele
E pediam para ele nunca deixar de ser quem era.
As árvores agitavam os ramos para o saudar,
As crianças levavam os seus barquinhos à vela para o lago,
O moleiro voltou a fazer farinha,
As bandeiras eram içadas no ar,
O pólen das flores espalhava-se sobre a terra fértil
E o Vento estava feliz.