Era Odete o nome dela. Senhora para seus cinquenta anos que vendia não me lembra o quê na Praça. Tinha um cão e um copo de vinho e gostava deles da mesma maneira. Todos os dias a via à janela. Não se ria para ninguém, mas conversava com os vizinhos. Cumprimentava, pelo menos. E bebia o seu copinho e passeava o seu cãozinho. Até ao dia em que não bebeu mais nem passeou mais. Imortalizou-se morta na sua janela do Rés do Chão onde todos os dias ficava a olhar para a rua. Conta-se que o cão, aos seus pés, teve que ser abatido. Conta-se que foi do fígado. Quase trinta anos mais tarde, este deve ser o último conto da Odete que se conta.